Adoro o samba de raiz, aquelas matrizes, hoje tão distantes…estou um pouco “caótica” e “sátira” demais… cantarolando “É hoje” de 1982…..e dessa linda música, cheia de esperança, saiu uma melindra-poesia..tão sórdida de realismo culto-depressivo (nossa, acho que isso é um pouco de Freud, e nem ele se auto explicaria….)……

A minha alegria até atravessou o mar,
Só que se perdeu do outro lado,
E agora não acha a embarcação de volta.

E com certeza não serei o Dono dessa terra,
Onde no breu da realidade,
Sou eu que não me encontro.
 
E para onde foi a gente modesta,
Que por onde passo,
Nem de sombra resta.
 
Fui subindo a serra,
Tentando fugir da solidão,
Um instante da loucura no meio da imensidão.

Cadê a minha euforia,
Tão longe de hoje em dia,
Que não quer saber de melhoria.
 
E ainda assumo ser o menos valente,
Fujo, me escondo, e despercebido passo,
No meio de tanta gente
 
E ainda nego as verdades do espelho,
Que posso caminhar, seguir e melhorar,
Fico no silencio na ideologia da ilusão.

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